"Esquadra de Turismo de Lisboa recebe mais de 200 queixas em cada mês"
"Tomar conta de ocorrências, dar informações sobre saúde, pratos típicos ou mesmo um espectáculo, tudo passa pela esquadra do Palácio Foz. Os turistas agradecem e até regressam para cumprimentar os agentes
Situada no Palácio Foz, nos Restauradores, em plena Baixa lisboeta, a Esquadra de Turismo da PSP é um local a que os visitantes estrangeiros recorrem com frequência, em caso de aflição ou simplesmente para pedir um conselho ou informação.
Quando chegam a Lisboa, muitos turistas já têm conhecimento da existência da esquadra, que a PSP diz ser quase única na Europa, só existindo uma similar em Atenas. As boas referências aos seus serviços aparecem em diversos roteiros turísticos, como é o caso de uma publicação francesa, que a descreve como 'um departamento policial onde se pode pedir ajuda, com pessoal muito profissional, simpático e afável'.
E, aparentemente, os estrangeiros reconhecem o bom atendimento, enviando cartas e e-mails de agradecimento com fartura, quando regressam aos seus países, e até mesmo passando por lá a cumprimentar quando voltam a Lisboa.
A comandante da esquadra, subcomissária Paula Monteiro, reconhece que é um posto diferente do habitual, onde os agentes têm uma preparação específica e onde são falados sete idiomas - espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, russo e japonês - e onde o ambiente é mais descontraído. 'As unidades hoteleiras e as agências de turismo remetem os visitantes para a esquadra quando surge qualquer problema e os próprios turistas passam palavra entre si', explica.
Com a realização, em 2004, do Campeonato Europeu de Futebol e do Rock in Rio, a Esquadra de Turismo de Lisboa ganhou mais visibilidade, tendo quase duplicado a sua procura. Mas os casos que ali aparecem não são muito graves.
Os crimes contra turistas, de acordo com as estatísticas da PSP, este ano já sofreram um decréscimo de cerca de 1,5 por cento, entre Janeiro e Maio, comparativamente a igual período do ano passado. Em 2004 foram apresentadas, nos cinco primeiros meses, 1200 queixas, este ano somaram 1100.
Muitos dos furtos denunciados são apenas distracção
'As queixas mais frequentes dizem respeito a furto por carteirista. Entre Janeiro e Maio de 2004 foram 400 e este ano 300. Desse número, a maior parte vem depois a comprovar-se que se tratou apenas de extravio, sendo os objectos (carteiras de documentos, malas) encontrados pelos próprios queixosos ou entregues por terceiros nas esquadras', diz Paula Monteiro.
As outras queixas dizem respeito a furto de bens pessoais, em transportes públicos ou que desaparecem de mesas ou balcões de estabelecimentos comerciais. Furto do interior de veículos é outra queixa que aparece, apesar de ter uma percentagem residual. Até Maio deste ano foram apresentadas 15 queixas relativas a este delito.
'A PSP de Lisboa aposta em acções de prevenção e repressão. Realizamos operações nos transportes públicos, com destaque para as carreiras dos eléctricos 15 e 28, e para todas as zonas turísticas da capital. Nos transportes circulam normalmente agentes à civil, das esquadras de investigação criminal, para tentar detectar os flagrantes delitos, porque o furto é um crime em que se não for obtida prova não há detenção, por ser muito difícil de provar. Por outro lado, apostamos na visibilidade, com agentes fardados, nos pontos turísticos, para dissuadir a criminalidade', explica. Com estas acções, a polícia já interveio desde o início do ano em 30 flagrantes delitos e 150 detenções, em crimes relacionados com turistas em passeio por Lisboa.
De acordo com Paula Monteiro, os turistas recorrem à Esquadra de Turismo também para pedir informações, solicitar ajuda para cancelamento de cartões, para entrar em contacto, via internet, com agências de viagens ou instituições bancárias. 'Outras vezes só porque procuram alguém que fale a sua língua para informações banais, como locais para fazer refeições ou divertir-se.'
Emprestar dinheiro a um turista, que gastou tudo ou que perdeu a carteira, também é frequente para os agentes daquela esquadra. Quanto à restituição da quantia, é que nem sempre acontece. 'Quando chegam aos seus países devolvem o dinheiro ao agente, remetendo-o para a esquadra, outras vezes esquecem-se', conta a subcomissária.
E quando a situação do turista é mesmo grave, porque lhe roubaram tudo, roupa, dinheiro, documentos, é a esquadra que estabelece contacto com as embaixadas e instituições sociais, para arranjar local onde pernoitem e se alimentem até a situação estar resolvida.
Casos caricatos também por ali passam e alguns são recordados com boas gargalhadas. O cidadão inglês, a cair de bêbado, a quem roubaram a roupa toda e deixaram só de cuecas, mas com a carteira na mão, e que apareceu aos tombos pela esquadra dentro. Ou o adolescente holandês, de 14 anos, que se perdeu da mãe na Baixa. A senhora, contactada através do hotel, estava já na praia e só apareceu seis horas depois para resgatar o filho, que entretanto conviveu, lanchou e jantou com a polícia, aparentemente, pouco ralado com a falta de preocupação materna." (Anabela Mendes - Público, 23/07/2004)

1 Comments:
Queria expressar o meu apreso pelos policias, pois são pessoas muito humildes e como pessoas são 5 estrelas.
Um grande abraço!!.
;)
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