Entrevista a Francesco Frangialli (Público - Economia, 23 de Maio de 2005)
PÚBLICO - Qual é a tendência mais marcante do turismo para a Europa?
FRANCESCO FRANGIALLI - A Europa está a perder a pouco e pouco quota de mercado em termos mundiais: representa neste momento cerca de 55 por cento das chegadas internacionais de turistas e 50 por cento das receitas geradas pelo sector. Em parte, isto é normal, porque a Europa foi o primeiro destino turístico do mundo. Com o aumento da globalização, há fluxos turísticos que estão a procurar outros mercados. No entanto, seria bom que mantivesse a actual quota parte.
PÚBLICO - O que é que os destinos europeus podem fazer, para se manterem no actual nível de procura?
FRANCESCO FRANGIALLI - Esperamos que consigam reagir, porque não tem sido o caso. Falta tomar algumas medidas, incluindo ao nível das iniciativas políticas. Por exemplo, é necessário que se aprove a nova Constituição europeia, que a confirmar-se poderá ser muito importante para o sector.
PÚBLICO - Em que aspectos?FRANCESCO FRANGIALLI - O turismo iria tornar-se também uma competência da União Europeia, embora mantendo-se o princípio da subsidiariedade, pelo que esta ficaria em condições de liderar algumas acções, de fazer um produto turístico mais sustentável. A Europa tem um potencial fantástico em termos culturais e ambientais, mas também sofre com fenómenos de congestionamento, de poluição, de danos ambientais e patrimoniais.
Por outro lado, é necessário melhorar a coordenação entre os diferentes destinos europeus, para os visitantes que actualmente viajam em grupo e visitam várias capitais em poucos dias. É o caso dos chineses e dos japoneses, por exemplo. Precisamos de uma maior articulação a este nível.
PÚBLICO - Outra tendência apontada pela Organização Mundial do Turismo é o declínio do produto "sol e praia", que é um dos mais importantes para Portugal...
FRANCESCO FRANGIALLI - Os destinos tradicionais de praia vão manter-se como o centro da indústria turística, mas com duas limitações: primeiro, com uma concorrência cada vez maior de países como a Tunísia ou o Chipre; em segundo lugar, este tipo de turismo vai con tinuar a crescer, mas nichos de mercado como o turismo cultural ou o turismo desportivo vão aumentar mais rapidamente.
PÚBLICO - Mantêm como previsão que Portugal vai ser o décimo destino mais visitado do mundo em 2020, com 40 milhões de visitantes?
FRANCESCO FRANGIALLI - Portugal teve alguns anos muito maus entre 2001 e 2003, mas no ano passado já mostrou uma recuperação. [Está em 16º lugar em termos mundiais.] No primeiro trimestre deste ano também teve um crescimento importante das estadias e das receitas.
PÚBLICO - Mas acredita que Portugal vai chegar à décima posição?
FRANCESCO FRANGIALLI - Não, não me parece. As previsões que fizemos vão ter de ser revistas, porque têm já muito tempo: foram realizadas nos anos 90.

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