segunda-feira, outubro 31, 2005

Contratuh vai lançar campanha pela ética no turismo (Brasil)

O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, anunciou nesta quarta-feira que a entidade vai lançar uma campanha nacional para divulgar o código de conduta das empresas de turismo adotado pelo Rio Grande do Norte em 2001. Esse código foi produzido por várias entidades e sindicatos, sob coordenação das ONGs Casa Renascer e Resposta, em parceria com empresários e com o governo estadual. A Contratuh reúne cerca de 450 sindicatos de todo o País. Geraldo Gonçalves participou de videoconferência realizada hoje entre as comissões de Legislação Participativa e de Direitos Humanos e assembléias legislativas de 14 estados sobre a adoção de um código de conduta para o turismo, destinado a combater a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Selo de ética
A coordenadora da videoconferência, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que também é presidente da Comissão de Legislação Participativa, explicou que o código de conduta adotado no Rio Grande do Norte assegura um selo às empresas que trabalham com a preocupação de desenvolver o turismo sem estimular a exploração sexual. As empresas que aderem ao código afixam o selo com a frase: “turista, se o seu destino é o brasil, seja legal”. A deputada ressaltou que o código de conduta vem sendo adotado de forma espontânea e que a iniciativa contribuiu para a redução do problema de exploração sexual no estado.Geraldo Gonçalves disse que a Contratuh tem feito campanhas educativas em todo o segmento para combater o turismo sexual no Brasil. Por tratar-se de um princípio ético e moral, Geraldo acredita que o setor vai aderir ao código de conduta do turismo contra a exploração sexual infanto-juvenil.

Corte no orçamento
A coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Neyde Castanha, defendeu a criação de "bases legais" que sustentem políticas voltadas ao combate do turismo sexual no País. "O Brasil precisa incorporar um pensamento estratégico contra esse tipo de barbárie, em especial nos projetos do Ministério do Turismo", defendeu. Por isso, Neyde criticou os cortes orçamentários previstos para 2006 em diversas ações voltadas às crianças e adolescentes (pessoas com até 18 anos): "o governo Lula assumiu o combate à exploração sexual como prioridade de governo, mas três anos depois apresenta um orçamento para 2006 com cortes de 70% na área da criança e adolescente. Estão nesses cortes os programas de combate ao trabalho infantil e o combate ao abuso e exploração sexual da criança adolescente", ressaltou.
O vice-presidente da Comissão de Legislação Participativa, deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), também se disse preocupado com a possibilidade de as verbas destinadas à juventude — pessoas de 15 a 29 anos — pelo Orçamento da União de 2006 sofrerem corte de 52% em relação a 2005, conforme a previsão orçamentária do ano que vem.
Participaram da videoconferência as Assembléias do Acre, Pará, Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Mato Grosso, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. (Fonte: Agência Câmara)