quinta-feira, outubro 20, 2005

"Um terço do investimento está garantido para o aeroporto de Beja"

"O projecto do aeroporto de Beja recebeu finalmente 'luz verde' do Governo para avançar, ao ter sido contemplado com cerca de 5900 milhões de euros destinados à sua construção, cerca de um terço do total programado para erigir a infra-estrutura, pelo Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) para 2006.
Deste montante, cerca de um milhão de euros vão estar disponíveis dentro de duas a três semanas, para que a Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) tome posse administrativa dos cerca de 20 hectares de terrenos que foram expropriados no passado dia 9 de Junho.
A partir daqui já será possível dar início à primeira fase de construção do projecto do novo aeroporto, que consiste na preparação do local - terraplenagem dos terrenos e abertura de caminhos -, construção da placa de estacionamento e alargamento das ligações entre a pista principal e o taxiway.
José Queiroz, presidente do conselho de administração da EDAB, diz que os 5900 milhões de euros 'é a única verba integralmente aceite em PIDDAC' para 2006.
Garantido o financiamento para o arranque do projecto, subsiste o problema do capital social da EDAB, 'que está praticamente extinto', diz o presidente da empresa, explicando que algumas das verbas que já foram utilizadas terão retorno através dos programas comunitários. Mesmo assim vai ser necessário aumentar o capital social da empresa, uma decisão que será tomada na próxima assembleia geral da EDAB.

Viabilidade passa pelo turismo de Alqueva e Tróia
A falta de fundos foi sempre um dos argumentos apresentados por anteriores administrações para justificar o atraso no arranque do projecto. José Queiroz recusa este argumento, dizendo sim que 'vários milhões de euros passaram pelas contas da EDAB mas não foram utilizados e acabaram por ser retirados'.
Desde Fevereiro último, segundo as informações prestadas pelo presidente da EDAB, foram depositados na conta da empresa cerca de 5800 milhões de euros. Este montante acabou por ser cativado, visto que os projectos a que se destinava não estavam concluídos. José Queiroz é peremptório: os problemas que afectaram a imagem da empresa ao longo dos últimos cinco anos 'têm mais a ver com as administrações que com os governos'.
O presidente da EDAB também confirma a existência de contactos com um fabricante de aeronaves e de uma empresa de manutenção de motores de helicóptero para o desenvolvimento do projecto do aeroporto. No entanto, as perspectivas mais animadoras resultam no imediato da implantação da componente turística em Alqueva e na península de Tróia, que podem trazer até ao novo aeroporto de Beja um fluxo regular de companhias charter e de tarifas reduzidas, vulgo low cost. Do Algarve, diz o administrador, 'também vêm bons indicadores de gente ligada ao turismo'.
José Queiroz está convencido de que 'foi vencida uma batalha: a da sensibilização do Governo para as potencialidades do projecto'. Por isso, espera que, no final de 2007, o novo aeroporto seja finalmente uma realidade e que até poderá vir a contar com o envolvimento da iniciativa privada para a sua viabilização." (Carlos Dias - Público, 20/10/2005)