quarta-feira, novembro 02, 2005

Aftosa cancela rodeios e prejudica o turismo

Mesmo em baixa temporada, eventos poderiam faturar R$ 2 milhões por final de semana. A febre aftosa não prejudica só a agropecuária no interior. O turismo também perde. A decisão de governos estaduais de impedir a circulação de animais onde há focos ou suspeita da doença adiou várias festas de rodeios no interior de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e até na Bahia. Empresários do setor calculam em até R$ 2 milhões prejuízos com o cancelamentos de festas a cada fim de semana.
"Caiu como uma bomba", afirma o promotor de eventos e agropecuária Carlos Eduardo Padilha, sobre a medida que cancela a aglomeração de animais enquanto não é desvendada a suspeita de febre no gado criado nas fazendas do Estado de São Paulo. "O setor vinha se recuperando de uma fase difícil, e voltamos à carga zero com o surgimento desse problema." Atualmente são realizados mais de 1.800 rodeios/ano em todo o território brasileiro.
Mesmo com em baixa temporada - a maioria ocorre de março a outubro, havia ainda muita programação. De acordo com o calendário da Secretaria da Agricultura, há no Estado de São Paulo 693 festas. Por mês, são 58 ou 14 por semana. A média de público é de 4 mil por dia de evento - geralmente as festas começam sexta e acabam domingo. Cobrando ingresso de R$ 10, movimentam R$ 560 mil por dia. A realização de uma festão de peão gera cerca de 200 empregos temporários em média.
"Além de acabar com a alegria do povo no interior, tenho um prejuízo de pelos menos R$ 4 mil por festa", afirma o produtor Marcelo Boconcelo, que perdeu no último final de semana contratos na exposição da qual participaria em Bauru (região centro-oeste do Estado de São Paulo). Ele é um tropeiro: treina e transporta bois que são utilizados para a montaria dos peões em arenas pelo interior paulista.
Em São Paulo, a decisão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), provocou o cancelamento da festa de São João do Iracema no último fim-de-semana. Em Bauru, a Grand Expo já estava com os animais que participariam do rodeio reunidos antes da decisão do governo estadual.
Mas uma liminar de ONGs protetoras de animais, até ontem à tarde, impedia a realização do evento. Em Poloni, prevista para acontecer entre 3 e 6 de novembro, os organizadores estão estudando a realização da festa apenas com cavalos.
Padilha disse que algumas repartições públicas estão emitindo a GPA (Guia de Trânsito de Animais) por entender que animais que participam de rodeio não representam risco de contaminação. Mas outras não emitem o documento já que a norma do governo paulista proíbe a aglomeração de animais bovinos. O agropecuarista e tropeiro Pedro Ortiz espera prejuízos de R$ 70 mil até dezembro. "Tenho 70 animais para participar do rodeio e eles vão ficar parados." Tropeiro de touros, Paulo Santos deixará de participar de mas 14 eventos, já cancelados.
Em São Paulo, os rodeios mais importantes são o Jaguariúna Rodeio Festival, o Brahma Rodeio, a Festa do Peão de Americana e o Rodeio dos Campeões de Presidente Prudente. O setor expande atuação com eventos também no Rio de Janeiro e em várias cidades do Nordeste.
Na Bahia, o Sauípe Rodeio Festival, que seria realizado entre os dias 24 e 27 de novembro, também foi adiado. Em comunicado, os organizadores afirmam que a decisão foi tomada em virtude do surgimento de focos da febre aftosa no Centro-Oeste e Sul do Brasil. "Apesar de sabermos que o gado envolvido nos nossos rodeios não tem a febre aftosa, estamos apoiando a decisão do governo para que a situação se normalize o mais rápido possível para voltarmos a trabalhar com total segurança", afirmou o presidente do grupo Os Independentes, Marcos Abud, organizador da Festa do Peão de Barretos. Em Sauípe, o rodeio será realizado em data ainda a ser definida. (Invertia)