domingo, maio 14, 2006

"Ippar faz levantamento do património termal do país"

"O Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar) vai fazer o rastreio e levantamento dos conjuntos termais em Portugal, que terá como coordenador científico o arquitecto Jorge Mangorrinha, especialista em termalismo e ex-vereador com esse pelouro, no anterior mandato, na Câmara das Caldas da Rainha, cidade que tem o hospital termal mais antigo do país.
De acordo com Jorge Mangorrinha, este será 'o primeiro diagnóstico nacional que alguma vez se fez sobre o património termal, móvel e imóvel, numa estratégia global de conhecimento, avaliação e salvaguarda, que o Ministério da Cultura assumiu assim como tarefa prioritária'.
A ideia é fazer o inventário, a caracterização e a classificação do património ambiental, edificado e do património móvel, num sector com recursos tão vastos. 'São os recursos hidrológicos, os parques termais, os balneários, as buvettes, os hotéis, os antigos casinos ou clubes de recreio, os edifícios de engarrafamento de águas, as capelas de apoio aos aquistas, o património artístico, o mobiliário, os instrumentos médico-científicos, os equipamentos hidrológicos e industriais', enumera Mangorrinha, sublinhando que existem em Portugal mais de 50 termas.
Além do levantamento dos conjuntos termais, o arquitecto refere que será definida 'uma base conceptual de critérios' para definir as medidas de salvaguarda do património. Pela importância nacional e europeia deste trabalho, Mangorrinha fará uma conferência para apresentar os seus primeiros resultados no 11º Congresso da Associação Europeia de Termalismo, entre 18 a 20 de Maio, em S. Pedro do Sul.
'Em 2005, Portugal registou 98.521 aquistas, sendo 82 por cento referentes ao termalismo clássico e 18 por cento do segmento Saúde e Bem-estar', refere o especialista. 'O nosso país está muito aquém dos países mais desenvolvidos neste sector, como a Alemanha, com mais de 15 milhões de aquistas. Outro bom exemplo refere-se à Eslovénia, que, com metade dos centros relativamente a Portugal, apresenta, porém, mais de 500 mil aquistas e dois milhões e meio de dormidas oficiais', sublinha.
Mangorrinha vinca que a partir de agora as questões do património termal serão colocadas num patamar científico e técnico de âmbito nacional, mas sempre com o intuito de consciencializar os agentes locais a preservar 'o que de melhor temos e antecipar opiniões ou acções de quem possa prejudicar projectos de salvaguarda ou de classificação deste património'. 'Esta iniciativa deve contribuir activamente para a consolidação de uma rede do património termal e das estâncias termais', conclui o arquitecto." (Rui Tibério - Público, 14/05/2006)