"Credores da Varig com dúvidas sobre parceiros da TAP"
"A TAP aliou-se à sociedade macaense Geocapital para adquirir as duas subsidiárias do grupo Varig ligadas ao processo de recuperação da companhia aérea brasileira, a VarigLog e a VEM-Varig Engenharia e Manutenção. De acordo com o presidente da companhia aérea portuguesa, Fernando Pinto, há ainda um investidor brasileiro envolvido no processo, mas que o gestor se escusou a identificar.
Da Geocapital, que tem como principal accionista Stanley Ho, fazem parte vários responsáveis portugueses - incluindo o presidente do Partido Socialista, António Almeida Santos - que viveram no território macaense quando este ainda estava sob administração portuguesa e que são conhecidos como 'grupo de Macau'.
As dúvidas sobre parceiros da TAP numa eventual entrada na Varig são uma das razões invocadas ontem para a suspensão da assembleia de credores. Desta forma, o voo de recuperação da Varig e a proposta apresentada pela TAP enfrentaram uma forte ameaça de turbulência em vésperas da audiência no Tribunal de Nova Iorque prevista para amanhã de manhã. Além dos 62 milhões de dólares - dois terços financiados pelo BNDES e um terço avançado pelos investidores associados à TAP - necessários para impedir o arresto de aviões da Varig pedido pelas empresas de leasing, o juiz pediu detalhes do plano de recuperação da companhia brasileira.
Os credores brasileiros, que no início do mês tinham dado um aval prévio ao plano apresentado pelo Conselho de Administração da Varig - que admitia a TAP como a empresa escolhida para ajudar à recuperação da transportadora - resolveram recuar diante de supostas mudanças na proposta original e pediram a suspensão da assembleia realizada ontem à tarde, que tinha como objectivo dar uma 'luz verde' final ao processo.
À hora de fecho desta edição, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estava reunido com os representantes dos credores, no centro do Rio de Janeiro. Na ilha do Governador, no extremo da cidade, os participantes na assembleia aguardavam pelo final da reunião na sede do BNDES, para que esta fosse retomada. Uma coisa é certa: o destino da Varig - que tem uma frota de 84 aeronaves, das quais 20 em perigo de arresto e 15 paradas por falta de manutenção - estava ontem à noite nas mãos dos credores.
Três pontos para esclarecer
Os credores da companhia brasileira queriam garantias do BNDES, instituição de fomento que vai financiar a operação, que lhe parecessem mais consistentes do que as do presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, para três pontos principais. Uma era a eliminação do Fundo de Investimento e Participações que deveria gerir a Sociedade de Propósito Específico (SPE), para onde se prevê que sejam transferidos os activos das duas subsidiárias do grupo Varig, VEM-Varig Engenharia e Manutenção e VarigLog.
Por outro lado, queixavam-se de pouca informação sobre quais os investidores que integram o consórcio da TAP e sobre a segunda etapa do processo, que prevê a alienação de capital da própria companhia aérea brasileira e a injecção de 500 milhões de dólares.
'Deixaram tudo para a última hora para nos deixar sem saída e fazer com que engolíssemos as mudanças por falta de alternativa', disse Rodrigo Maroco, presidente da Associação dos Pilotos da Varig e um dos dirigentes da associação Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que faz parte dos credores ligados aos funcionários da companhia.
Além dos pontos alterados em relação ao projecto original e a suposta falta de transparência sobre o papel da TAP, acendeu o sinal de alerta dos credores a informação de que a companhia de aviação portuguesa já estaria a encaminhar o processo de formação da Aero Lisboa (também referida como Aero-LB Investimentos, SA) - empresa brasileira que seria encarregada de gerir a segunda parte do processo de recuperação da Varig.
Da Geocapital, que tem como principal accionista Stanley Ho, fazem parte vários responsáveis portugueses - incluindo o presidente do Partido Socialista, António Almeida Santos - que viveram no território macaense quando este ainda estava sob administração portuguesa e que são conhecidos como 'grupo de Macau'.
As dúvidas sobre parceiros da TAP numa eventual entrada na Varig são uma das razões invocadas ontem para a suspensão da assembleia de credores. Desta forma, o voo de recuperação da Varig e a proposta apresentada pela TAP enfrentaram uma forte ameaça de turbulência em vésperas da audiência no Tribunal de Nova Iorque prevista para amanhã de manhã. Além dos 62 milhões de dólares - dois terços financiados pelo BNDES e um terço avançado pelos investidores associados à TAP - necessários para impedir o arresto de aviões da Varig pedido pelas empresas de leasing, o juiz pediu detalhes do plano de recuperação da companhia brasileira.
Os credores brasileiros, que no início do mês tinham dado um aval prévio ao plano apresentado pelo Conselho de Administração da Varig - que admitia a TAP como a empresa escolhida para ajudar à recuperação da transportadora - resolveram recuar diante de supostas mudanças na proposta original e pediram a suspensão da assembleia realizada ontem à tarde, que tinha como objectivo dar uma 'luz verde' final ao processo.
À hora de fecho desta edição, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estava reunido com os representantes dos credores, no centro do Rio de Janeiro. Na ilha do Governador, no extremo da cidade, os participantes na assembleia aguardavam pelo final da reunião na sede do BNDES, para que esta fosse retomada. Uma coisa é certa: o destino da Varig - que tem uma frota de 84 aeronaves, das quais 20 em perigo de arresto e 15 paradas por falta de manutenção - estava ontem à noite nas mãos dos credores.
Três pontos para esclarecer
Os credores da companhia brasileira queriam garantias do BNDES, instituição de fomento que vai financiar a operação, que lhe parecessem mais consistentes do que as do presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, para três pontos principais. Uma era a eliminação do Fundo de Investimento e Participações que deveria gerir a Sociedade de Propósito Específico (SPE), para onde se prevê que sejam transferidos os activos das duas subsidiárias do grupo Varig, VEM-Varig Engenharia e Manutenção e VarigLog.
Por outro lado, queixavam-se de pouca informação sobre quais os investidores que integram o consórcio da TAP e sobre a segunda etapa do processo, que prevê a alienação de capital da própria companhia aérea brasileira e a injecção de 500 milhões de dólares.
'Deixaram tudo para a última hora para nos deixar sem saída e fazer com que engolíssemos as mudanças por falta de alternativa', disse Rodrigo Maroco, presidente da Associação dos Pilotos da Varig e um dos dirigentes da associação Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que faz parte dos credores ligados aos funcionários da companhia.
Além dos pontos alterados em relação ao projecto original e a suposta falta de transparência sobre o papel da TAP, acendeu o sinal de alerta dos credores a informação de que a companhia de aviação portuguesa já estaria a encaminhar o processo de formação da Aero Lisboa (também referida como Aero-LB Investimentos, SA) - empresa brasileira que seria encarregada de gerir a segunda parte do processo de recuperação da Varig.
Uma informação dada em primeira mão pelo site de notícias Folha Online, ligada ao jornal Folha de São Paulo, dizia que o processo estaria a ser conduzido pelo advogado José Roberto Opice, do escritório Machado Meyer Sendacz Opice e Brandão Couto Advogados. Contactada pelo PÚBLICO, uma secretária do advogado, de nome Mónica, disse que qualquer informação sobre o assunto só poderia ser dada pela direcção da TAP." (Paulo de Vasconcello, com Inês Sequeira - Público, 08/11/2005)
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